Exponáutica 2007

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Explorações científicas encontram novas espécies marinhas no Canhão da Nazaré

O relatório de 2006 do Censo da Vida Marinha, apresentado em Dezembro último, tem uma referência a uma descoberta científica no Canhão da Nazaré – um protozoário de grandes dimensões e que se pensa ser uma nova espécie.

O protozoário (organismo unicelular) foi recolhido nas profundezas abissais do Canhão da Nazaré, a 4.300 metros, durante uma expedição do navio de pesquisa “R.R.S. Discovery”, do Centro Oceanográfico Nacional de Southampton, Reino Unido, no âmbito do projecto Hermes (que junta 41 instituições europeias para estudar os ecossistemas marinhos das margens continentais, entre elas o Instituto Hidrográfico e a Universidade de Aveiro).

O relatório do Censo da Vida Marinha aponta o protozoário descoberto no Canhão da Nazaré como um micróbio “macro”, pelas suas dimensões inusitadas. Tem uma só célula, envolta numa concha protectora que pode atingir os 2,5 centímetros de largura por seis de altura. Segundo o documento, o protozoário descoberto no Canhão da Nazaré, ao largo de Portugal, difere dos protozoários comuns, vistos a nadar em água ao microscópio. A célula única desta frágil nova espécie de Xenophyophore está revestida por uma concha achatada, de 1 cm de diâmetro, composta por finas partículas minerais.

Nesta expedição ao Canhão da Nazaré, que decorreu no Verão de 2005, participaram cientistas portugueses. Citada pelo “Público”, a bióloga Ana Aranda da Silva conta que o protozoário “português” foi recolhido numa amostra de sedimentos de uma caixa enviada às profundezas do maior vale submarino da Europa. Segundo a investigadora, estes organismos unicelulares parecem uns corais muito pequeninos, mas espalmados, que vivem na superfície dos sedimentos no limite do Canhão da Nazaré. Só temos três e não temos a certeza de que sejam todos da mesma espécie (in Público, 11/12/2006).

Este micróbio gigante não foi, contudo, a única descoberta desta expedição do projecto Hermes, embora apenas ela tenha sido referida no relatório do Censo da Vida Marinha. As águas profundas do Canhão da Nazaré revelaram a existência de um crustáceo que os cientistas crêem ser uma nova espécie. Segundo o mesmo artigo, citando Marina Cunha, coordenadora da equipa da Universidade de Aveiro que participou no cruzeiro científico do “Discovery”, o novo crustáceo tem a particularidade de se enrolar como um bicho-de-conta. Só com alguns milímetros de comprimento, o organismo é branco e vive também no Canhão da Nazaré, a grande profundidade, entre os 3.000 e os 4.000 metros.

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